O lendário
seriado Chaves mantém quase intacta
sua popularidade no Brasil, três décadas após ter ido ao ar pela primeira vez em seu país-natal, o México. Um
novo livro procura explicar as causas do sucesso deste clássico latino-americano. De acordo com a Agência EFE, o livro "
Chaves de um Sucesso", do jovem jornalista Pablo Kaschner, ( um dos autores do
Mico na Rede ) publicado pela editora
Senac Rio, traduz o esforço para explicar como, em tempos de alta velocidade, nos quais a ingenuidade é um bem em
extinção até em muitas crianças, uma série como essa continua fazendo sucesso.
Para quem não
entende a lógica desta pérola televisiva, as peripécias do Chaves podem parecer uma grande bobagem, mas os dados impressionam. O livro, aliás, estuda o seriado como um fenômeno comunicacional. As reprises
dos episódios originais do programa mais famoso da TV infantil mexicana são transmitidas diariamente desde 1984 pelo SBT, mantendo um razoável índice de audiência na faixa horária com maior número
de espectadores. São os mesmos episódios, há mais de 20 anos! Em 2004, o canal deixou de exibir a série e provocou um incomum protesto do público, com abaixo-assinados e milhares de cartas, forçando
a emissora de Sílvio Santos a recolocá-la em sua grade de programação.
As figuras
destes adultos vestidos de crianças, com seus diálogos muitas vezes absurdos, continuam presentes na Vila, cujos cenários fazem parte da memória afetiva da infância de milhões de latino-americanos. No Brasil, "chavesmaníacos" de todas as idades participam de fã-clubes
e organizam encontros, atualmente facilitados pela internet. Em várias cidades do país, costumam reunir-se para
rever capítulos, trocar peças de coleção ou simplesmente cultuar a infância que já se foi.

O autor
do livro disse que Chaves é o único seriado igualmente
famoso e querido no Brasil e na América de idioma espanhol:
– Em um momento em que tanto se fala de integração, é um programa que "sem querer, querendo", alcança esta incumbência – opina.
Kaschner apresenta uma descrição minuciosa dos personagens criados pelo mexicano Roberto Gómez Bolaños, conhecido pelo apelido de Chespirito, que também encarnou Chaves e Chapolin. Seu Madruga, Quico, Chiquinha, Dona Florinda, Professor Girafales, Bruxa do 71, Senhor Barriga e Nhonho também estão lá.
Chapolin mereceu
um capítulo à parte no livro, falando de outro sucesso de Bolaños no Brasil que atravessa gerações.
– O Chapolin
é mais um anti-herói. É franzino, sente medo, sabe que não é invencível e gosta das mulheres. Talvez por tudo isso seja mais
herói que os super-heróis tradicionais, que sabem que são invencíveis. É fácil lutar contra o mal sabendo que os tiros não podem lhe ferir – observa Kaschner.
É claro que
os inimigos de Chapolin não são tão perigosos e, por vezes, são tão atrapalhados quanto o próprio. Todos os vilões estão
no livro, entre eles os lendários Tripa Seca, Quase Nada, Pirata Alma Negra e a Bruxa Baratuxa.
As duas séries
tiveram várias alterações de horário ao longo dos anos, mas sempre há um público novo descobrindo as cômicas aventuras
de seus personagens. Estes jovens espectadores se juntam aos nostálgicos adultos e aos fãs incondicionais de sempre.
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