segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Orkut completa 3 anos


O que restou da “febre Orkut”? Completando três anos hoje, a comunidade virtual mais famosa do Brasil já deixou de ser novidade há um bom tempo. Mas nem por isso os brasileiros abandonaram o site. Hoje, são nada menos que 23 milhões de perfis que dizem ser do País.

Não que o site seja adorado por todos. Não faltam críticas dos usuários ao excesso de spams, à superlotação dos grupos de discussão, que atrapalham a troca de idéias, e à superexposição que as conversas públicas do Orkut trazem.

Também não faltam polêmicas. Desde 2005, o site se tornou alvo de denúncias de diversos crimes que estariam ocorrendo em grupos e perfis. Racismo, pedofilia, venda de drogas, entre outros, cometidos por usuários mal intencionados levaram até os donos do serviço, o Google, a prestar esclarecimentos à Justiça brasileira.

Quando o assunto é comunidade virtual, o Brasil foge às regras do resto do mundo. Para começar, o País é um dos poucos em que o Orkut vingou. Além disso, por aqui não houve, em três anos, uma debandada contínua de usuários de um site de relacionamentos para outro, o que já ocorreu nos EUA e na Europa.
No que somos diferentes? “É a própria questão cultural”, diz o pesquisador Theophilos Rifiotis, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “O MySpace (comunidade popular nos EUA), por exemplo, é mais voltado para a música. Já o Orkut tem muitas ferramentas para conversa entre usuários. E os brasileiros gostam muitos de estar em contato”, diz.

O próprio visual do Orkut é uma das explicações da adesão e longevidade do site. “Ele possui uma interface amigável ao Brasil”, explica a pesquisadora Maria Bretas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “E quando foi lançada a versão em português facilitou ainda mais.”

Essas características aliaram-se a um ingrediente que deu um toque final para o site ganhar em cheio os brasileiros: só entrava quem tinha convite. “Os usuários gostaram dessa exclusividade”, diz o pesquisador do Ibope Inteligência, José Calazans. “Como o brasileiro é muito social, ele precisa se integrar às coisas que estão na moda. Não ser convidado para o Orkut significava quase como não ter amigos. Todo mundo corria atrás de um convite.”

Foi assim que o site chegou aos atuais 23 milhões de perfis brazucas, 58% do total. Nem depois de surgirem outros sites parecidos, além da demora causadas pela superlotação, denúncias de crimes e problemas como spam, os brasileiros abandonaram a comunidade. “Pela disseminação, esses problemas não afetam a popularidade” constata Calazans.

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Até eu estou lá...



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